sexta-feira, 27 de novembro de 2009

JUIZO FINAL (I) SPASM-BAND

Ilustração Anônima Para o Apocalipse de São João

Os trompetes estrondam no Free-Jazz
que do Céu faz descer o Mal feroz.
Caem ao som de dez mil decibéis
gafanhotos em nuvem sobre nós.

O megavibrafone de Moisés
estremece o planeta com bemóis.
O mundo vem abaixo, de través,
com Elias e a Banda de Illinois.

Clarins e clarinetes à la Miles
chamam todos os mortos à Cratera
em que se aguardará findar o Show.

O Batista anuncia o Grã-Finale
e as gentes dançam loucas à espera
do solo de Jesus, Nosso Tenor.

(Extraído do "CONCERTO Nº 1NICO EM MIM MAIOR PARA PALAVRA E ORQUESTRA", 1º Movimento, Livro 3, Seção 4)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O VERBO

Magritte. Reprodução Proibida (Retrato de Edward James), 1937


Porque te busco à larga e urgente, escapas,
Parêntese, meandro, reticência.
És o alterar-se, o ir-se, adjacência,
Semipresença, trânsfuga, e à socapa.

Meu verso quer prender-te, mas derrapa,
Ao passo que te esvais, deliquescência.
E te transformas, mudas de aparência
Ou te escondes, ocluso, sobrecapa.

Foges, — quo vadis? — subreptício,
E se retornas, vens em parte, Quas
Estás além, aquém, entre, interstício,

Nunca definitivo, em transe, em fase
de. Luno, ora afagável, ora acerbo,
Vezes inexpu’nável, mudo. ¿Verbo.

(Publicado originalmente na Revista PARA MAMÍFEROS, n. 1, Fortaleza, 2009, p. 39). Os editores da Revista são Glauco Sobreira, Jesus Irajacy, Nerilson Moreira, Pedro Salgueiro, Raymundo Netto e Tercia Montenegro. O poema O Verbo pertence ao CONCERTO Nº 1NICO EM MIM MAIOR PARA PALAVRA E ORQUESTRA, 3º. MOVIMENTO, Livro 4, Seção A.

sábado, 7 de novembro de 2009

OS ARCANOS MAIORES DO TAROT (X). A RODA DA FORTUNA (VI)

O o“V”ni vindo de Vênus
Em missão especial
Investigava o moral
Dos seres intraterrenos.

“X” relaxava relax
Após completo o domínio.
“Uma pena esse extermínio
Dos terráqueos: sed Lex”.

“Z”EX se achava azarão,
Contudo isso mudaria.
Comprara naquele dia
Da loteria, um cartão.
............................

(PEQUENO GUIA DE LEITURA, aliás, desnecessário. Para maior expressão do que o Arcano X do Tarot figuraria, acreditei que o poema deveria traçar uma rota circular. Mas não somente: deveria vincular-se internamente, de tal maneira que cada estrofe surgisse como uma consequência da anterior, num jogo contínuo de causalidades/ casualidades; assim é que o leitor deverá atentar para o fato de que se “A” ganhou na loteria e foi assaltado pelo ladrão “B” que se deixou converter pelo pastor “C” (...) até chegarmos a “Z” — este personagem retorna a “A”, fechando (reiniciando) o eterno ciclo da “Roda da Fortuna”.)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

OS ARCANOS MAIORES DO TAROT (X). A RODA DA FORTUNA (V)

“R” rejeita raivoso
O copo d’água e, febril,
Já não dono do canil
Mas cão entre cães, rabioso.

“S”, o coveiro, ao sepulcro
Baixa um corpo “r”essecado:
“Daqui vem meu ordenado...
De tudo se tira lucro.”

“T”ereza volta tesuda
Das exéquias do marido.
Tanto desejo contido,
No outro mês já barriguda.

“U”birajara ululou
Quando o filhinho sumiu.
Uma nave o abduziu,
Veio e teletransportou-o.