quinta-feira, 7 de setembro de 2017

MUTIRÃO # 3


(Versão em cores da p. 5 do Livreto-Revista Mutirão # 3)

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

MUTIRÃO # 3


OS LEITORES E OS NOMES
                                     
O velho e bom Houaiss nos informa que a palavra mutirão (=moquirão) foi registrada pela literatura brasileira a primeira vez em 1872 no romance Til, de José de Alencar: Das poucas palavras que apanhara, percebeu Jão Fera que destinavam eles (...) tudo quanto possuíam, à compra de mantimentos a fim de fazer um moquirão com que pretendiam abrir uma boa roça.

Na derivação por analogia do verbete, o Houaiss define exatamente o que significa o mutirão — este Mutirão: qualquer mobilização de cidadãos, coletiva e gratuita, para execução de serviço que beneficie uma comunidade. (Gratuita: que palavra bonita para esses tempos escuros de intere$$e$ e con$umi$mo! Ai, como ficaram sujos esses esses com as grades dos cifrões! Comunidade: que palavra bonita num mundo mergulhado no umbigo de si mesmo, paranoico de individualismo!)...

Mas quem são exatamente estes cidadãos mobilizados? Contei mais de cinquenta nomes, de André a Zuenir, mais de 50 mentes de Beltrão a Suellen, de Anfrísio a Lia, de cinquenta mãos, de Brennand a Webston, de Artur a Raymundo, de Bárbara a Rosanni, de Deribaldo a Luis, Ellis, Carlos, Leo, Franciscos, Alves & Cia., sei lá mais quem, tantos artífices das palavras, dos sons, das imagens, das artes gráficas, tantos artífices, Michel, personas, Lucas, Rogério, personagens, Marcelo, Rodrigo, todos usando a matéria-prima de seus espíritos para plantar grãos de emoção na boa roça dos corações alheios.

E os corações alheios, entre eles o meu, são, é claro, a comunidade beneficiada da definição do Houaiss, somos nós, os outros, os de espírito anônimo, os depositários onde cada palavra, cada traço, pincelada , cada frase  ou nota musical, cada tirinha , etc., encontrará o eco da criação, do  sentimento  daqueles autores —  e a nossa gratidão.

Estes os papeis que fazem aqui a pequena Flora, um Ralphe, um Cláudio, — hem Jarbas, hem Liciany, que papeis vocês fazem aqui senão o de anjos e damas travestidas de sol e diadema?

Hem ouvinte, ô leitora, como não rir do desabafo da caveira de Hamlet cheia de tédio, cansada de ouvir por mais de quatrocentos anos a mesma pergunta sem resposta?  Ou como não ficar sério ao constatar que Deus não tem religião?

Como ficar indiferente ao samba feito para nós, Dainah, se a vida é um perigo, Adélia, se só o que lhe resta é algum resquício de pureza infantil, ó Laura, se você só vai para o tempo que lhe cabe, Benjamim este sertão vasto ao redor de uma casa pequena de onde você migra, Nilda, porque o rio é agora apenas um rastro, ó Cícero ... Sim, que tecido leve este da vida, Jucelino, quando alguém esvazia o olhar sobre a varanda, e some desbotando a nossa vista. E que papel fazemos nós deste lado de fora do livro, da revista, senão reescrevê-la, reimprimi-lo em nossa vida?  Pois é. Como fiz neste parágrafo, nós, leitores, quase sempre reescrevemos o que lemos. Por isso também fazemos parte — e muito — deste Mutirão.

Carlos Nóbrega

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

segunda-feira, 7 de agosto de 2017


Do Mutirão # 2, p. 25