terça-feira, 30 de maio de 2017

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PROPULSÃO
Quem me sabe se nasço do talvez
Ando à noite de mim quando estremenho
Moro-me no transbordo do entremês
Desmorono e nem sou: apenas venho
Gasto-me solitário sodalício
Solvo-me no desvio da transumância
Vajo à margem do quase precipício *
Morro metade e salto: a morte? Dance-a
Dádivo-me desastres para nunca
Brado pedras enquanto não há antes
Durmo senões que minha alma espelunca
Atiço à rinha os dúbios litigantes

Como cerzir a túnica de sal?
Adubo o som e emito o não-sinal


* "Vajo",  primeira pessoa do verbo "vagir". Para a Poesia não há verbos defectivos



(Primeiro soneto de Duas Visões Textuais, colaboração para a Revista PROPULSÃO)

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